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BRASIL, Mulher, de 20 a 25 anos, Afrikaans, Nepali, Arte e cultura, Música, Viagens, boas histórias, bom humor..tudo MSN -
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MENTE CRIMINOSA
Será que esse negócio de crime subiu à minha cabeça? 
Dia desses estava saindo do shopping e me vi diante do guichê simpaticamente eletrônico que fala muito simpaticamente comigo sempre na hora de eu comprovar que não dou calote, que paguei - sim! - o estacionamento!
Ali, com meu ticketzinho na mão, diante da voz eletrônica mais do que conhecida da moça, registrei meu direito de sair, já que havia efetuado devidamente o pagamento em troca de eles terem permitido que meu veículo permanecesse lá no estacionamento por longos 40 minutos enquanto ia com meu irmão caçula comprar cordas pra guitarra em tamanho sábado ao meio-dia! Falem aí...vida de irmã mais velha é tudo ou não é?! 
Passei o ticket, cancela aberta, e eu diante do lixeirinho que colocaram após o guichê - para os motoristas que, com eu, acumulam muito papel no carro desnecessariamente - pensando, pensando, pensando...
- Mas e se eu precisar desse comprovante depois? E se eu for acusada de alguma coisa e com isso eu puder provar que estive aqui? Ai, que coisa...jogo ou não? Como vou saber se não vou precisar disso?
Carros na fila atrás de mim. Eu diante do cesto de lixo. O cesto diante de mim. O papelzinho ainda na mão.
- Ah...mas isso aqui não comprova nada mesmo! Poderia ser qualquer pessoa...não provaria nada em meu favor isso aqui, pois poderia ser o ticket de qualquer pessoa!
Joguei. Pronto!
- Nossa...tô piorando. Ou isso é filme americano demais entre meus neurônios e hemácias (e olha que nem tenho visto tantos ultimamente!) ou estou mergulhando mesmo no "criminoso" mundo do processo penal...doidice!
Saí. Meu irmão rindo depois que revelei o motivo da hesitação diante do guichê.
Na primeira curva, meus pensamentos já tinham dado a volta ao mundo. Já tinham ido em todos os filmes que eu me lembrava em que apareciam os álibis perfeitos. Já tinham revisitado algumas anotações a respeito da apuração de provas. Já tinham revirado até os tempos em que eu brincava de detetive. Tinham ido, mas pareciam não querer voltar!
Retomando, estava eu na primeira curva, sob atuação da famosa força centrífuga. Com o chacoalho, voltaram os pensamentos! E tomei um susto com a minha própria imbecial conclusão:
- Claro que prova alguma coisa! Se eu tenho o ticket, posso fazer a segurança do shopping procurar minha imagem saindo do estacionamento na data e hora registrados!
Por um lapso infitamente pequeno, tão pequeno quanto minha esperteza - que já é parca - estava naquele momento, tive vontade de voltar e pegar meu papelzinho.
Minha mente criminosa anda me atrapalhando.
Chatice. 
Escrito por Lu Leite às 00:09
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VONTADE DE VIVER...
Hoje era um daqueles dias em que parecia que nada demais iria acontecer...
O sol estava igual, lá, firme e forte! Põe forte, meu amigo, porque era assim mesmo que estava...escalndante, como dizem..."tostante", como gosto de dizer.
Os carros na rua exprimiam toda a pressa e o desejo que cada trabalhador desta terra sente em uma sexta-feira...aquele ziguezague engraçado (consideremos! Sexta não é um dia para estresse!) de "vamos acabar logo com isso!", uma sinfonia de buzinas...e mesmo assim eu vi pedestres que sorriam, e sorri também.
No trabalho, algumas novidades coloriam os desafios de sempre...para mim é mesmo um laboratório. Conviver no meio de gente grande dá muito trabalho. Por falar em "gente grande", hoje a um certo momento percebi que após um sorriso meu uma senhora que trabalha por ali me respondeu fazendo voz de criança (sabem como é, né?), como que querendo me agradar...mal sabe ela....mal sabe ela!
Mal sabe ela a sensação ruim (não devastadora ou outra qualidade drástica...acho que ruim traduz) que me dá ser tratada como criança em um ambiente em que estou revestida de toda a minha "adulteza" e maturidade, conquistada após ralados 21 anos! Talvez faltem-me uns óculos bem sérios, uns centímetros a mais, uma maquiagem caprichada, uma voz mais rouca e de tom autoritário...ou talvez, mesmo com tudo isso, meu sorriso me desmascare, como acabo concluindo sempre. É essa bendita moleca que trago cá dentro, terna e eterna, meio chateada de vez em quando, verdade, mas menina...e ela teima em aparecer tilintando nos meus olhos toda vez que rio, e me faz ruborizar toda vez que me chamam de qualquer coisa semelhante a "doutora". Tudo bem, tudo bem, já superei a dose de hoje!
O que queria dizer, enfim, é que era um dia normal...sim, prova, trabalho pra expor, tempo apertado, mas normal, normal...tão normal que até aqueles "sim, e daí?" voltam à cabeça de vez em quando...
Mas eis que estava lá eu, "perdida em pensamentos, sobre o meu cavalo...", quando vi uma pessoinha amiga que é sempre tão positiva e up meio "xoxa"...
Eu comigo mesma:
- Melhor deixar ela quieta...vai que eu pioro a situação...do jeito que estou hoje não vou contribuir em nada.
Mas que nada, era preguiça mesmo. Preguiça de sair do meu mundo, minhas idéias, pra ir me intrometer em um universo que não parecia em nenhum momento se cruzar com o meu. Paralelo! Isso, paralelo!
Brigas e discussões com meu "eu" preguiçoso, lá estava eu com a pessoinha, realmente querendo escutar o que tava se passando por trás daquela fachada tão cinza. E, como mágica, como se a Sininho tivesse derramado sobre nós "pó de pirlimpimpim", vi que tinha realmente saído daquele mundo onde estava, normalzinho, e tinha ido me aventurar em outro, mais legal ainda, mesmo se eu não tinha nenhuma pretensão de desvendá-lo nem nada...
Foi uma jornada longa, de longos instantes, mas profundamente enriquecedora.
Depois, fomos a um lugar onde pudemos ouvir histórias de esperança, e todo aquele dia "normal" e aquela jornada longa em um universo paralelo pareciam ter ganhado um sentido verdadeiro.
Entre as histórias, uma tão recente e tão real que me fez chorar por dentro, mas de alegria, não sei:
Carol, uma menina pequena e bem pobre estava precisando de roupas e outras coisas, pois ia fazer uma viagem e não tinha quase nada.
Essa necessidade foi comunicada a outras meninas que, como ela, descobriram que é possível viver o amor aos outros de modo concreto. No dia seguinte, chegou uma mala cheia de coisas para Carol: sapatos, meias, enfeites para os cabelos, vestidos...entre eles, um de festa, lindíssimo e bem alegre.
Era grande demais para a pequena, dava pra ver, mas era fruto de um ato de amor, grande como ele.
Fernanda queria dar também a sua ajuda para a viagem da Carol, e escolheu o seu vestido mais lindo, mesmo se a mãe insistia que ia ficar grande. "Mas mãe...a Carol está precisando! A senhora não quer que eu dê um vestido feio, não é?".
A Carol viaja amanhã, feliz da vida! Não menos feliz está a Fernanda, posso garantir...
Aquele desapego dos meus pensamentos e do meu precioso tempo para escutar minha colega ganhou também sentido, ainda que eu não tenha sido tão generosa e convicta quanto a Fernanda.
E fui invadida por uma vontade de viver tremenda.
Que dia!

Escrito por Lu Leite às 23:14
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PAUSE

Clique dado num momento inesperado...daquelas fotos que "ninguém merece", mas tudo bem. Eu tava mesmo dormindo...tsc tsc tsc .
Esses dias (quatro ou cinco), a Lupa estará sem atualização.
Aliás, estará "em atualização", pois a Lupa funciona pelas idéias que movem o que se vê, e só vemos realmente quando os olhos estão abertos, descansados e dispostos enxergar.
Para os meus amigos que sabem, uma palavra: Mariápolis!
Vai ser massa!
Depois de domingo, outra palavra: provas!
O importante mesmo é fazer uma coisa de cada vez, né? Estou feliz por experimentar isso!
Até daqui a uns dias...
Escrito por Lu Leite às 23:22
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PASSARÃO...
Porque adoro o humor sarcástico, sucinto e afiado do Quintana.
E amo ser passarinho.
POEMINHA DO CONTRA
"Todos esses que aí estão
atravancando meu caminho,
eles passarão...
eu passarinho!"
Mario Quintana
Às "almas sensíveis" que vêem comentar pessoalmente coisas a respeito do Lupa:
deixem sua preciosa marca no link para os comentários "Olho na Lupa" ou "Alguém já olhou na Lupa" ou, ainda, "a galera na Lupa"....deixem! Fico muito contente de constatar que estamos pertinho, apesar dos rumos e histórias que nos levaram a vias lácteas tão diferentes!
As coisas de fato passarão, boas ou ruins, atravancando nossos caminhos ou não, passarão!
Porém, que continuemos passarinhos, em busca da verdadeira liberdade que surge quando fazemos o bem, e todos já temos maturidade pra termos "trombado" com essa verdade empírica!
Hoje um amigo de muito tempo me disse que esteve passeando por aqui, vendo minhas idéias, meus "pedaços", como digo. Perguntou, em tom de brincadeira: "Quê que tu anda tomando?...Tu continua viajando, Lu...".
Entre outras coisas, disse que reagimos a estímulos diferentes, e é bem verdade.
Viajo amigo...ainda viajo, ainda bem! Mas não viajo pra fugir, simplesmente. Viajo porque vôo.
Não me vejo vivendo engaiolada, sequer presa à terra por qualquer fiozinho.
Amo ser passarinho.
Abraços a todos.

Escrito por Lu Leite às 00:35
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Ué...eu gosto do cara! Por isso, evoco o "Pessoa" para esse momento em que não posso escrever muito, apesar de sentir que se mexer a cabeça com força as idéias irão cair.
Isso é sinal de fartura...e não há tanta ultimamente.
- Borbulhai, idéias! Movei a roda das coisas que devem acontecer...aconteçam.
Que a criatividade que valorizo tanto se entenda com a praticidade que teimo ser e nem sempre sou. (Caramba...pareceu trava-língua agora )
Como esse texto da faceta "Alberto Caieiro" do Pessoa me abraça a alma, tomei a liberdade (quase ofensiva) de grifar os versos que calam mais fundo aqui dentro...assim, por afinidade e quase usucapião, esse pedacinho de alma se torna um pouco mais meu.
Como suspiro em meio à discussão,
Enquanto clamo, contemplação:
O Guardador de Rebanhos (1911-1912)
Alberto Caeiro
I
Eu nunca guardei rebanhos, Mas é como se os guardasse. Minha alma é como um pastor, Conhece o vento e o sol E anda pela mão das Estações A seguir e a olhar. Toda a paz da Natureza sem gente Vem sentar-se a meu lado. Mas eu fico triste como um pôr do Sol Para a nossa imaginação, Quando esfria no fundo da planície É se sente a noite entrada Como uma borboleta pela janela.
(...) Pensar incomoda como andar à chuva Quando o vento cresce e parece que chove mais.
Não tenho ambições nem desejos Ser poeta não é uma ambição minha É a minha maneira de estar sozinho.
XLVIII
Da mais alta janela da minha casa Com um lenço branco digo adeus Aos meus versos que partem para a humanidade.
E não estou alegre nem triste. Esse é o destino dos versos. Escrevi-os e devo mostrá-los a todos Porque não posso fazer o contrário Como a flor não pode esconder a cor, Nem o rio esconder que corre, Nem a árvore esconder que dá fruto.
Ei-los que vão já longe como que na diligência E eu sem querer sinto pena Como uma dor no corpo.
Quem sabe quem os lerá? Quem sabe a que mãos irão?
Flor, colheu-me o meu destino para os olhos. Árvore, arrancaram-me os frutos para as bocas. Rio, o destino da minha água era não ficar em mim. Submeto-me e sinto-me quase alegre, Quase alegre como quem se cansa de estar triste.
Ide, ide de mim! Passa a árvore e fica dispersa pela Natureza. Murcha a flor e o seu pó dura sempre. Corre o rio e entra no mar e a sua água é sempre a que foi sua.
Passo e fico, como o Universo.
Não passas não, Fernando...não passas mesmo, porque pelo amor imprimiste vida à água que de ti correu, à flor que de ti brotou, ao fruto que germinou da tua própria morte e renascimento perenes, por isso não passas. Ficas, como a marca do amor, gerador da vida. Os versos amados não voltam vazios...voltam vivos [n.d.b. (nota da blogueira)] .
Escrito por Lu Leite às 00:08
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