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O que é isto?

É TEMPO DE...

Eu quero!

   (Não me levem a mal...mas penso muito enquanto estou ao volante...)

   Dia desses percebi que os parâmetros da gente mudam de verdade.

   Morei por cinco anos em uma cidadezinha de interior, tamanho pequeno de caber no bolso, mas de gente grande a ponto de fazer jus ao título de ser o maior município do mundo, maior até que a Bélgica. E sabem de uma coisa? Desde 1995 - mais ou menos...trata-se de mim escrevendo, ou seja, não há nunca precisão nos números - um satélite americano detectou que nesse município está localizado o maior aquipélago fluvial do mundo. É verdade! Apesar do descomunal tamanho do município, a cidade-sede ainda é pequena...e era menor ainda na minha ainda-não-ida adolescência.

   Por aquelas bandas, quando é tempo de jambo as ruas ficam cor-de-rosa, e é delicioso ver as pessoas varrendo os quintais...e é perigoso passar de bicicleta embaixo dos jambeiros majestosos com seus galhos carregados, pendendo sobre as cabeças.

   E lá, quando é época de manga, não há uma mangueira na cidade que não fique cheia de meninos dependurados, ou ao menos com uma multidão de moleques ansiosos debaixo, com armas em mãos para derrubar as desejadas e maduras mangas. Depois, os caroços depenados pelo caminho dão a quem vê uma impressão devastadora...mas a quem consegiu encher as mãos, os bolsos, sacolas, olhos, barriga...resta o rosto deliciosamente sujo e o desejo de outra conquista (porque apanhar mangas é coisa para pequenos heróis!).

   Lá tem uma frutinha que dá em umas plantas meio que aquáticas, pois ficam pelo meio do rio, e pra apanhar as frutinhas vermelhas tem-se de pegar barcos pequenos e ir até bem perto dos galhos finos. Comprovou-se que essa fruta, o caçari (ou camu-camu), tem o maior teor de vitamina C já encontrado, mais até do que a acelora.

   Nossa...isso aqui está quase virando um artigo científico!

   Tudo isso pra dizer que era fácil saber qual a fruta de cada época, qual o cheiro que íamos sentir por algumas semanas, quais as cores que cobririam as ruas...

   É...eu morava lá, e foi lindo...e ainda é lindo no canto das memórias do meu cérebro que são processadas pelo coração.

   E hoje...

   (volto, então, ao meu volante no meio da segunda-feira)

   Os vendedores aproveitam os carros parados no semáforo para oferecer de tudo, inclusive frutas. Assim fico sabendo de que fruta é tempo agora.

   Essas últimas semanas, por exemplo, tenho visto muitos abacaxis. Muitos...e bonitos. Gosto de olhar.

   - Vai levá não, minha patroa?

   - Não, obrigada (sorrindo sem graça, mas querendo ser educada, pois já me vi do lado de lá...assunto para outro post!). Hoje não.

   - Aproveite, hein! Faço uma promoção especial pra senhora...quatro por....

   - Não, moço, obrigada mesmo...só tava olhando...(e o sinal abre, ufa...já estava me cansando só de pensar em explicar que estava só olhando. Todo dia a mesma coisa...).

   É meu modo de respirar a natureza, de ver as frutas, de conhecer as coisas que andam acontecendo por aqui.

   O que dói é ver o pessoal vendendo caqui e morango no trânsito, que só me fazem pensar que lá longe as árvores estão cheias e a meninada morta de feliz.

   Mas aqui, os nossos meninos...não querem saber das uvas, maçãs, caquis, morangos e framboesas, mas não vêem a hora de apanhar os jambos, as mangas, os caçaris, araçás, ingás, cupuaçus, cacaus, biribás, abis...

   E eu não vejo a hora de vê-los. Saborear o seu saboreio. Para mim, ser expectadora dessas movimentações sazonais é a melhor maneira de saborear as frutas de cada estação.

Variedade, minha senhora!

 



 Escrito por Lu Leite às 22:37
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AINDA SOBRE O DIA DO AMIGO

   Era dia do amigo, e eu fui querer fazer crescer a amizade com duas primas pequenas...

   Elas, na verdade, estão menos pequenas a cada dia que passa. E os "dias" pra uma prima mais velha passam ainda mais depressa, e quando ela se dá conta...cabum!

A sonosplastia não condiz com o impacto de vê-las crescendo assim tão rápido!

   Bom, nem tô podendo enfeitar muito, mas foi um momento lindo. Agradabilíssimo "acerto de contas" (dívida que eu mesma criei) com elas...daqueles dias pra se lembrar mesmo.

   Ok...fomos ver o Garfield! Bem muito altamente recomendável...avisos aos mais críticos: apesar do humor delicioso típico da tirinha, há cenas de perseguição de bichinhos, cachorros e gatos falantes, amor bobo e um vilão no melhor estilo "Cruela Cruel". Portanto, não adianta esperar demais!

   Gostei demais de Shrek 2, cujas referências e tiradas exigem um senso de humor um tiquinho mais "adulto", porém, gostei muito também do Garfield! Acho que isso também se deve à minha prima de 6 anos imitando com sua barriga rechonchuda as danças (algumas das seqüências mais hilárias do filme!) e movimentos do Garfield! Pense em uma prima mais velha que se machucou de tanto rir!

   Bom...todo esse intróito foi pra citar, em homenagem atrasada aos "amigos", o próprio Garfield em uma cena em que dizia ao vilão Dr. Feliz o motivo de estar se arriscando para salvar seu "amigo" Odie, o cachorro:

   "Para você, o Odie pode ser só um cão sujo, nojento e inútil...mas pra mim ele é muito mais do que isso... Ele é meu AMIGO!".

   Graaaaaande Garfield!

   Aos amigos, pequenos, grandes (levem em conta o referencial...eu continuo pequena!), de longa data ou aqueles que me conquistaram em filas, em bancos, nos corredores...a todos: PARABÉNS POR SEREM VOCÊS, e obrigada pela perseverança e amor...tenho a consciência de que ser meu amigo não é fácil!

 



 Escrito por Lu Leite às 23:25
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HOJE EU QUIS TIRAR FÉRIAS DE MIM

Cá estou...

(após vários dias sem tempo de atualizar o Lupa, hoje começam minhas férias da universidade. Recomeço também eu.)

Hoje eu quis tirar férias de mim.

E vi minha manhã começar quase às dez. Vi as meias que não combinavam com o pé descalço e nem liguei.

Vi a bagunça que fiz no quarto nesses dias sem tempo nem pra dormir direito. Vi os papéis que devo organizar nas férias.

Vi o quanto é legal não ter nada urgente pra fazer de vez em quando, mas dei muito valor às coisas que me mantêm ocupada e não me fazem pensar demais em mim (o que, certamente, me deixaria neurótica).

Vi as nuvens que dançavam meio que dois-pra-lá-dois-pra-cá e ri. Vi que nenhum tempero se compara ao da minha mãe mesmo.

Vi que realmente sou a única aqui que não tem ficado em casa, e percebi o quanto isso faz diferença em uma família.

Ouvi as músicas que meus irmãos têm escutado, e fiquei supresa ao ver no desktop um ícone com o título "Lu, vê isso"...fiquei feliz por eles terem guardado uma coisa engraçada pra me mostrar.

Tirei um tempinho de mim para escutar suas histórias. Vi que meu pai continua engraçado.

Eita...apesar dos "entraves", tenho mesmo uma família linda!

Vou pro cinema com as primas pequenas.

Ainda não acabou meu dia, mas tô feliz pelo simples propósito de fazer desse dia de férias um dia feliz.

Post bobo, mas terno.



 Escrito por Lu Leite às 13:54
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ASPIRAÇÕES NA MADRUGADA

Pensando...

(inspirado em algo que li aqui)

Se eu pudesse ser um mês, queria ser agosto.

Gosto do som de "agosto". Gosto da sensação que me causa agosto, apesar do calor. Gosto de ser mais da metade do ano, e gosto porque logo chega o meu setembro, e logo acaba o ano. Gosto de agosto.

Se eu pudesse ser um gesto, queria ser abraço.

Muitas vezes sou cafuné. Muitas vezes sou piscadinha camarada. Muitas vezes sou olhos atentos. Tantas outras vezes não. Porém, gostaria de ser sempre abraço, mesmo distante, mesmo formal, gostaria de ser sempre abraço.

Se eu pudesse ser um estímulo, queria ser a mão que apoia a criança nos primeiros passos.

Se eu pudesse ser uma flor, queria ser tulipa.

Sou margarida, e isso é fato. Adoro tulipas, mas no fundo amo mesmo ser margarida. Simples, pequena, campestre...e só "funciona" se associada a outras margaridas.

Se eu pudesse ser uma sensação, alívio.

É aquela tênue linha entre o silêncio da agonia e o suspiro da boa notícia. Aquele estado limítrofe meio indefinido, em que nem tentamos buscar tantas explicações. A sensação existe, e é boa. E isso basta. Alívio.

Se eu fosse alguma coisa, seria um pôr-do-sol.

Gostaria de ser um amanhecer, mas não o sou. Nem acordo tão linda e radiante como o sol. Mas gosto dele ao se pôr. Não pela sensação de vazio que traz um astro tão imenso indo-se entre trevas tímidas, mas pela certeza de que ele nasce pra todos, se põe para todos. Faz tudo crescer e a roda da vida girar, contradizendo toda a crença que querem que eu desenvolva de que hoje o consumismo faz as coisas girarem...obrigada por isso, sol. Pela certeza de que mesmo no ocaso você está, porque é.

Se um dia eu crescer, quero ser criança. 

 



 Escrito por Lu Leite às 23:55
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