O ANIVERSÁRIO II (a não-ficção)

Totalmente inesperado do começo ao fim.
Mesmo sem o desejo de fazer muita festa, como comentei antes, eis que passei o dia 16 inteiro a base de salgadinho, bolo e refrigerante. Nessas horas entendo por que é só uma vez a cada 365 dias...haja saúde!
Muito abraço, parabéns, presentinhos e cartões reais dos que estão perto, virtuais dos que estão longe (às vezes bem longe meeeeeeeesmo!), uns mais lindos do que os outros, porque todos embuídos de uma ternura tal que me desconcertava.
Nos cartões, algo que se repetia...palavras como "luz" e "iluminada" passeavam pelo colorido das folhas como se ali fosse o lugar delas, e figuravam como se intrinsicamente ligadas à minha pessoa. E em meio a tantas palavras como as já mencionadas, um amigo meu encerrou o "cartãozão" que a minha turma me preparou com um escrito memorável:
"Lu, lendo esse cartão vi que você tem luz para abastecer toda a região amazônica se for preciso. Por isso, não vou me repetir. Gosto demais de você. Feliz aniversário.".
E esse monte de palavras cheias de significado - vez que ditas e escritas por pessoas lindas e cheias de significado - me pôs, como sempre, a pensar.
Segue abaixo um pouco das coisas que pensei naquela quinta-feira colorida, em que até granizo choveu em Manaus para comemorar a grande-mínima ocasião. Corro o risco de parecer exagerada, mas - com licença - gente mais velha pode se dar ao luxo de exagerar, ainda mais quando tem a mais lúcida certeza de que não está exagerando.
<< Tenho muita, muita sede, porque o que trago dentro é tão forte e grande que tudo o que acontece ao meu redor ainda parece pouco, pequeno.
Mesmo as surpreendentes manifestações de afeto e palavras sinceramente pronunciadas ou escritas que este dia traz à superfície da realidade ainda parecem limitadas diante da fonte que as gerou. Não, essa fonte não sou eu.
Talvez essa aparente "pequenez" exista pelos limites do meu próprio "eu", que me esforço a cada dia para minimizar, em nome da transparência, para que esse tesouro apareça tal como é aos outros, sem as minhas vírgulas.
Desafio diário.
Sem isso dentro? Vazio...E mesmo o "vazio" tem para mim nome e sentido, e, especialmente hoje, agradeço demais a Deus por isso. Por esse sentido.
Luz? Por que hoje me falam tanto de uma tal "luz"? Porque existe...existe! Não é só um sorriso em um momento atribulado, nem um "bom dia" na manhã chuvosa. Não é só isso.
Tudo o que me dizem hoje, desde que amanheceu, só me faz estar mais certa de uma coisa: descobri um tesouro, e ele brilha para quem quiser ver, mesmo que algumas vezes eu insista em bloquear.
E como diz aquela parábola, quando se descobre a pedra preciosa vale a pena vender tudo o que se tem, bens e conhecimentos, para possuí-la.
E como brilha essa pedra!
Por essa luz que não é minha, e sem a qual minha vida não teria graça nenhuma nem para mim e nem para os outros, obrigada, especialmente hoje.>>
Luciana-mais-velha, 16 de setembro de 2004
Escrito por Lu Leite às 23:33
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