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O que é isto?

NESSES MOMENTOS EM QUE O VENTO VEM BALANÇAR O CABELO E FAZ PENSAR...

Se o vento perguntar por mim, dize que já fui

Dize que voei sem precisar da ajuda dele

Que demorou demais a chegar

Se perguntar por que não esperei,

Dize que eu não tinha tempo

Não podia esperar nem pelo tempo nem pelo vento.

Se o vento perguntar por mim, dize que eu não quero

Não quero ajuda nem refresco

O caminhar é mais fácil a favor do vento, eu sei

Mas vou sem ele mesmo assim

Nunca dependi de empurrão ou de brisa

Se tivesse esperado por isso, não estaria hoje aqui.

Se o vento perguntar por mim, dize que fui sorrindo

Já chorei um bocado, e ele sabe

Enxugou as cachoeiras que caíram das janelas de minh'alma

E foi bom

Também estive sem transparecer nada por um tempo

Mas agora fui sorrindo e ele não viu.

Talvez ele não pergunte por mim e me saia a procurar

Entre nos bares, casas, hospitais, veredas

Talvez me procure naquele banco daquela praça triste

Achando que estou ali a chorar melancolias

Porque em todos estes dias é o que tem me visto fazer

Não me encontrará, penso.

 Pode ser que ele não apareça por essas bandas

E sequer perceba que não mais estou

E o tempo continuará ermo como agora

Sem balanços, danças ou assovios

Irá pelo Alaska, assoviando agudo e frio

Passeará pelo Atacama, acalentando os dias e gelando as madrugadas

Gritará em quedas d'água a apoteose do precipício

Procurará novas cachoeiras a enxugar

E melancolias para apreciar

Pois aqui não mais estou.

Porém, se não quiseres esperar pra ver

Se não quiseres guardar meus recados tão longos

Vem comigo nessa estrada sem rumo certo

Em que o que vale é o caminhar

Mesmo sem vento entre as árvores coloridas

Mas se vier, vem sorrindo.

Vem mesmo, sem pensar nas impossibilidades

Pois somos como o vento, que não as considera nunca

Que não tem caminho certo, tanto que não está aqui

E iremos felizes, sem impossível e sem brisa

Sem ponderações nem pesar

Pois mesmo sem ajuda, refresco ou caminho

Não teremos frustrações pro vento levar.

Tudo 'ao vento' é mais bonito... 



 Escrito por Lu Leite às 00:14
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- Por que você tá chorando?

- Só lembrando de algumas coisas...chato lembrar das coisas. Bem que a minha cabeça podia ter aquela tecnologia GSM dos celulares, mas de um jeito meio ao contrário, sei lá.

- Tô tentando acompanhar, juro...mas não tá dando não.

- Assim: coisas que devem ser mantidas a gente guardava no chip, e por mais que o invólucro sofresse as alterações necessárias com o passar do tempo, nada se perderia. No máximo, trocaria de lugar. Agora, o que deveria ser apagado....aí, queridinha, fora! Era só jogar todo o chip fora!

- Que foi agora, Malena? Brigaram de novo, foi?

- Não sei. Acho que não.

- E por que você tá tão pensativa e com esse ar triste?

- O ar que eu tô respirando tá meio triste...a troca gasosa nos meus pulmões tá triste, hemoglobina triste, corpo, cérebro tristes...e o espírito anda respirando do mesmo ar.

- Ai, Má...tá dureza de te acompanhar hoje.

O pensamentos de Malena lá longe, perto da fronteira com o Alaska, e a desilusão de Cecília com a despretenciosa tristeza da amiga pairava no silêncio. Que agonia!

A Malena estava trsite sem saber por que, mas estava. O interesse de Cecília em escutá-la era curiosidade egoísta mesclada com altruísmo puro.

Tinham sido meninas juntas, e se entendiam muito bem. Porém, agora, a comunicação não rendia tanto.

Mesmo assim, sem querer (até sem saber) explicar muito, Malena abriu o caderno de capa rubra e mostrou pra amiga o que tinha escrito em um desses momentos em que é difícil achar explicações, melhor escrever...

Aquele sorriso abraçava. Apertava os olhos e sorria francamente...e eu me sentia amparada ali, não importava o que sentisse.

Tinha cheiro de pasta de dente e plenitude de alma aberta. E eu gostava dele.

Na primeira vez que o vi o sol estava tão claro que parecia querer me mostrar a beleza dele no mais alto grau.

E estava sorrindo, veja só...

Ainda que naquele dia tenham sido duas ou três palavras, tive a impressão de que os olhos apertados e verdadeiramentes felizes por me ver diziam tudo.

E por um momento o mundo teve uma clara noção do que 'felicidade' quer dizer.

E por um momento eu soube lucidamente...

E não precisou explicar mais nada. Em um abraço consolo-agrado que durou um longo minuto elas se entenderam.

 



 Escrito por Lu Leite às 00:31
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COISAS DE GENTE VELHA

 

   Ficar horas tentando abrir a nova escova de dentes. Dobra, força, rasga...quando, na verdade, havia uma pontinha pra puxar, com o escrito “abra aqui”. Quantas vezes na minha vida briguei, forcei, quase rompi algum laço pelo simples fato de não analisar a situação com calma. Não que haja um “abra aqui” pra tudo...nem todas as coisas são assim simples de serem resolvidas. Porém, hoje vejo o quanto compliquei as coisas...se compliquei!

 

   Investir quase vinte minutos em procurar o controle remoto para assistir televisão, ficar chateada com o irmão que “deixou isso escondido!”, quase desistir de ver – pois que graça tem ficar levantando pra mudar o canal ou controlar o volume? – e revirar o cômodo inteiro! E depois, calmamente e quase com vergonha, perceber que o tão desejado objeto estava na mão esquerda o tempo todo. Ninguém merece mesmo!

 

   Reclamar do barulho que os amigos do irmão estão fazendo...eita, que até risos exageradamente altos incomodam! Quando sou eu que rio, sem problemas, né! Foi engraçado me deparar com essa “rabugentice”.

   É, pelo jeito tô mesmo envelhecendo (tema recorrente por aqui nos últimos tempos), e vez por outra me deparo pronunciando célebres frases de quem vê o mundo ao redor envelhecer também: "Como você cresceu!", "O quê? Já casou?", "Menino...parece que foi ontem que vi você brincando na rua só de bermuda...". Sem contar as caras e bocas de espanto.

   Só rindo mesmo. Pelo menos dessas rugas de alegria não me espanto. São a prova de que 'não basta envelhecer, tem que participar'!

Rascunho antigo para movimentar a Lupa.

Motivo da "paralisação": viagem repentina.

Motivo da continuação da paralisação: SEMANA MUNDO UNIDO, o motivo mais nobre que poderia existir. Não foi só a Lupa que parou por causa desse evento...o mundo inteiro, das Filipinas à Nicarágua, está vivendo por isso, não parando, mas se movimentando BEM MUITO!

Informem-se, e aproveitem.

Eu acredito em um mundo mais unido e sei que ele é construído nas pequenas coisas do cotidiano.

Eu topei o desafio, e você?!



 Escrito por Lu Leite às 15:15
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